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Parece que o Irã pode estar certo — Donald Trump estaria, na prática, negociando consigo mesmo. Primeiro, o presidente dos EUA emite um ultimato; depois, recua e ordena a suspensão de ataques à infraestrutura energética iraniana. Primeiro cinco dias, depois dez. O chefe da Casa Branca fala de um suposto "presente" de Teerã e de "conversas produtivas". Ainda assim, Irã e Israel continuam a se atacar mutuamente, e o Estreito de Ormuz permanece fechado. Esse conjunto de fatores reforça a percepção de que as expectativas de paz são frágeis, pressionando o EUR/USD para baixo.
O dado mais surpreendente é que, apesar da forte volatilidade, o petróleo não atinge novas máximas há quase três semanas. Isso é parcialmente explicado pelo otimismo vindo da Casa Branca, pelo redirecionamento gradual dos fluxos de transporte e pela liberação de barris das reservas estratégicas, que continuam chegando ao mercado.
Dinâmica do dólar americano e do S&P 500
O dólar americano está em alta, mas não acompanha integralmente a forte queda dos índices acionários. Um dos fatores que sustentam a valorização da moeda durante o conflito no Oriente Médio é seu status de ativo de refúgio. Ao mesmo tempo, a forte correção do S&P 500 na última semana completa de março sugere que o EUR/USD deveria estar sendo negociado em níveis significativamente mais baixos.
O mercado acionário dos EUA demonstra crescente preocupação com o risco de estagflação. De fato, analistas da Bloomberg revisaram a projeção de crescimento do PIB dos EUA para 2026 de 2,5% para 2,3%. Além disso, elevaram a probabilidade de recessão nos próximos 12 meses para 30%, ante 25% anteriormente. O principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve, o índice PCE, subiu de 2,6% para 3,1%.
Por outro lado, a OCDE elevou sua projeção de crescimento do PIB dos EUA de 1,7% para 2,0%, citando os investimentos em tecnologias de inteligência artificial. Já as perspectivas para a Europa, mais dependente de energia, foram revisadas para baixo.
Previsões da OCDE para as economias europeias
A zona do euro claramente sofrerá mais com o conflito no Oriente Médio do que os Estados Unidos. Esse é mais um argumento para vender o EUR/USD.
Dito isso, pode haver algumas nuances: o par cambial, na verdade, subiu anteriormente em resposta às tarifas da Casa Branca direcionadas à União Europeia, já que os investidores esperavam que os americanos arcassem com os custos.
Assim, a queda do EUR/USD mostra que Trump não conseguiu oferecer um "salva-vidas" com sua retórica conciliadora. Isto não é uma guerra comercial no Oriente Médio — é uma guerra real. O Irã não está disposto a recuar, independentemente de quão habilidosas sejam as negociações do presidente. Ao mesmo tempo, os riscos de escalada estão empurrando o Brent de volta para as máximas recentes.
Perspectiva técnica para o EUR/USD
No gráfico diário, o par EUR/USD está caindo em direção à borda inferior da faixa de valor justo, entre 1,151 e 1,165. Uma quebra do suporte em 1,151 permitiria aumentar as posições vendidas iniciadas a partir de 1,160. As metas para o movimento de baixa do euro em relação ao dólar são os níveis de pivô em 1,144 e 1,134.