Veja também
O ouro (XAU/USD) encontra dificuldades para sustentar uma recuperação intradiária, apesar do recuo do dólar americano em relação à máxima desde maio de 2025 atingida ontem, em meio à reavaliação das expectativas de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve (Fed). Esse movimento tem oferecido algum suporte ao metal precioso. No entanto, a ausência de um impulso altista consistente mantém os compradores cautelosos quanto à ampliação de posições, após a queda para níveis próximos das mínimas de novembro de 2025 registrada na quarta-feira.
Segundo dados do Bureau of Economic Analysis (BEA) divulgados na quinta-feira, o índice de preços PCE acelerou de 3,8% para 4,1% na comparação anual em maio. O núcleo do indicador (core PCE), que exclui os componentes mais voláteis de alimentos e energia, avançou para 3,4%. Ainda assim, os participantes do mercado acreditam que a inflação pode ter atingido o pico — ou estar próxima dele — no mês passado, diante da recente queda dos preços do petróleo para níveis anteriores ao conflito, após o acordo temporário entre os Estados Unidos e o Irã. Nesse contexto, fortaleceram-se as expectativas de que o Fed manterá a política monetária inalterada, levando investidores a realizar lucros no dólar.
Ao mesmo tempo, a ferramenta FedWatch, do CME Group, mostra que a probabilidade de pelo menos um aumento dos juros até o fim do ano ainda supera 80%. Essas expectativas foram reforçadas por comentários do presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, que observou que as pressões inflacionárias subjacentes continuam elevadas e seguem apresentando uma dinâmica desfavorável. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, também adiou sua projeção para o retorno da inflação à meta de 2%, enfatizando que a inflação permanece elevada, embora possa começar a desacelerar ainda este ano.
Ao mesmo tempo, relatos de que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) atacou um navio cargueiro de bandeira singapuriana no Estreito de Ormuz aumentaram as dúvidas sobre a durabilidade do acordo temporário entre os Estados Unidos e o Irã. Isso pode limitar a fraqueza do dólar e restringir o potencial de alta do ouro. De modo geral, o pano de fundo fundamental permanece de neutro a baixista, reforçando a probabilidade de novas vendas em níveis mais elevados.
Do ponto de vista técnico, o viés baixista persiste apesar da tentativa de recuperação. Os compradores precisam primeiro superar a SMA de 20 dias, em torno de US$ 4.250, para abrir espaço para ganhos adicionais. Para assumir o controle do mercado, no entanto, será necessário romper acima da SMA de 200 dias. Por outro lado, uma consolidação abaixo de US$ 4.000 confirmaria a tendência de baixa de curto prazo. Os osciladores permanecem em território negativo, indicando que os vendedores continuam com a vantagem.
Vale notar também que a SMA de 200 dias continua inclinada para cima, sinalizando que a tendência de longo prazo do metal precioso ainda permanece de alta.