Arábia Saudita avalia nova política de preços do petróleo para a Ásia enquanto houthis ameaçam os fluxos de abastecimento
A estatal Saudi Aramco prepara-se para adotar um preço oficial específico para o petróleo embarcado no porto mediterrâneo de Sidi Kerir, no Egito, com destino a compradores asiáticos. Esse ajuste na política de preços decorre da intensificação dos ataques dos rebeldes houthis do Iêmen no Mar Vermelho, que tem levado armadores a evitar o porto saudita de Yanbu. Anteriormente, Riade redirecionou volumes significativos de suas exportações para Yanbu por meio do oleoduto Leste–Oeste devido ao bloqueio efetivo do Estreito de Hormuz em meio ao conflito com o Irã. No entanto, a continuidade do transporte marítimo pelo Estreito de Bab el-Mandeb tornou-se perigosa demais.
A rota de transporte de petróleo do Mediterrâneo para a Ásia obriga os petroleiros a contornarem a África pelo Cabo da Boa Esperança, o que resulta em um forte aumento dos custos de frete e em prazos de entrega mais longos. Como consequência, refinarias asiáticas — incluindo empresas da China, da Índia e da Coreia do Sul — vêm solicitando descontos compensatórios significativos aos fornecedores sauditas. Em especial, refinarias estatais indianas buscam descontos entre US$ 5 e US$ 10 por barril para o petróleo embarcado em Sidi Kerir, em comparação com os preços praticados para cargas provenientes de Yanbu com entrega em agosto e setembro.
Os detalhes do novo mecanismo de precificação ainda não foram definidos, e a Arábia Saudita avalia alternativas logísticas, incluindo a entrega direta de petróleo bruto aos clientes asiáticos com o uso de sua própria estrutura logística ou a realização de operações Ship-to-Ship (STS), nas quais a carga é transferida diretamente de um navio para outro após a travessia das áreas de maior risco.