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A situação atual no mercado de ouro desafia a lógica clássica: em meio a uma forte escalada geopolítica entre Estados Unidos e Israel, de um lado, e Irã, do outro — além do bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz e da ameaça de uma crise energética global — o ouro não está subindo, mas passando por uma correção acentuada.
À primeira vista, isso parece paradoxal. No entanto, ao analisar os fundamentos, o comportamento do metal torna-se mais fácil de explicar. O ouro foi atingido por uma espécie de "tempestade perfeita", em que o papel de principal ativo de refúgio foi temporariamente assumido pelo dólar americano, enquanto os riscos inflacionários, paradoxalmente, passaram a pesar contra o próprio metal.
Na quarta-feira, 4 de março, o XAU/USD consolida-se ligeiramente acima de $5.150, enfrentando resistência abaixo do importante nível de curto prazo em $5.180 — correspondente à EMA de 200 períodos no gráfico horário — e registrando ganhos intradiários modestos, de cerca de 1,5%. Esse movimento ocorre em meio às persistentes preocupações dos investidores com a possibilidade de um conflito prolongado no Oriente Médio. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a operação militar contra o Irã pode durar quatro a cinco semanas e que os ataques continuarão pelo tempo que for necessário.
Em circunstâncias normais, a escalada geopolítica tenderia a impulsionar o ouro. No entanto, o metal recuou após atingir máximas mensais acima de $5.400. Para entender esse movimento, é necessário analisar quatro fatores-chave.
Quatro principais razões para o declínio do ouro
2. O choque inflacionário do petróleo voltou-se contra o ouro. O bloqueio do Estreito de Hormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo global — provocou um salto nos preços da energia para níveis não vistos desde junho de 2025. O Irã alertou que não permitirá que nenhum petróleo deixe a região, aumentando os temores de uma nova crise energética.
Considerações importantes
No curto prazo, o receio de uma inflação descontrolada e de uma política monetária mais restritiva por parte da Reserva Federal (ou simplesmente o abandono da flexibilização) superou a procura pelo ouro como porto seguro. Os investidores estão agora mais preocupados com as consequências do conflito, o abrandamento do crescimento global e a manutenção de taxas elevadas do que com a guerra em si.
Breve análise técnica
No gráfico de 1 hora, a tendência de curto prazo tornou-se baixa. O preço recuou da borda superior do canal ascendente no gráfico de 4 horas, perto de US$ 5.415,00, que havia guiado a alta desde o início de fevereiro.
Principais níveis de suporte:
Principais níveis de resistência:
Perspectiva
Apesar da queda, os economistas não consideram que a tendência de alta do ouro tenha sido rompida. A correção é acentuada, mas provavelmente de natureza técnica. Todos os olhares estão voltados para a zona de US$ 4.985,00–US$ 5.100,00: se o ouro conseguir se manter acima dessa área, terá chances de retomar o movimento de alta. Assim que o pânico diminuir e as preocupações com estagflação persistirem, o ouro voltará a ganhar atratividade. Se ficar claro que o Fed não pode combater a inflação elevando os juros (devido ao risco de recessão), o metal precioso deverá se beneficiar novamente.
O que importa hoje?
Os participantes do mercado acompanham o relatório de emprego do setor privado da ADP e o PMI de serviços do ISM. No entanto, esses dados podem ficar em segundo plano, já que a atenção está concentrada nos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio.
Conclusão
Em resumo, apesar do papel tradicional do ouro como ativo seguro em meio a riscos geopolíticos, seu comportamento no curto prazo pode ser influenciado por uma série de fatores, tais como:
Nessa situação, um dólar mais forte em meio a preocupações com riscos pode empurrar os preços do ouro para baixo, apesar do aumento do risco geopolítico. No entanto, a queda atual não é o fim da era do ouro — é um forte lembrete de que, em momentos de extremo estresse, o dinheiro (o dólar americano) geralmente domina. No médio e longo prazo, os fatores fundamentais para o ouro (geopolítica, inflação e dívida) permanecem em vigor. Os investidores que buscam oportunidades de entrada devem observar atentamente a reação em US$ 5.100,00 e o suporte-chave perto de US$ 5.000,00.