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24.07.2026 08:17 PM
USD/JPY: Relatório do IPC do Japão oferece apoio limitado ao iene

O par USD/JPY testou ontem o nível de 164,00 pela primeira vez em quase 40 anos. Mais precisamente, o par foi negociado pela última vez nessa faixa de preço em novembro de 1986. Vale ressaltar, no entanto, que naquela época o USD/JPY já se encontrava em uma tendência de baixa bem estabelecida, já que o mercado cambial global ainda se ajustava às consequências do Acordo do Plaza. Antes da assinatura do acordo, o dólar americano estava significativamente supervalorizado, com a taxa de câmbio atingindo 240–250 ienes por dólar.

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Segundo os dados oficiais, o núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Japão, que exclui alimentos frescos, subiu 1,6% em junho na comparação anual, após alta de 1,4% em maio. A inflação acelerou pela primeira vez em vários meses, mas permaneceu abaixo da meta de 2% do Banco do Japão (BoJ) pelo quinto mês consecutivo.

À primeira vista, o retorno da aceleração inflacionária poderia fortalecer a posição dos defensores de um aperto adicional da política monetária. No entanto, é preciso considerar uma importante nuance. Para o Banco do Japão, a aceleração do IPC em si é menos importante do que a qualidade dessa inflação — suas causas, sua sustentabilidade e sua capacidade de se transformar em uma pressão inflacionária persistente.

É justamente nesse ponto que o relatório decepciona, impedindo os vendedores de USD/JPY de aproveitar os números mais fortes da inflação cheia.

Em primeiro lugar, a inflação no Japão continua sendo predominantemente importada. O principal fator por trás da aceleração do IPC em junho foi a mudança na base de comparação dos preços da energia após o encerramento de diversos programas governamentais de subsídios. Em outras palavras, o aumento da inflação refletiu um efeito técnico de base, e não um fortalecimento da demanda doméstica.

Essa distinção é crucial para o Banco do Japão. Como mencionado anteriormente, os formuladores da política monetária dão menos importância ao nível da inflação em si e mais aos fatores que a impulsionam e à sua sustentabilidade. Afinal, o principal objetivo do banco central não é simplesmente combater índices elevados de inflação, mas superar a mentalidade deflacionária enraizada entre empresas e consumidores japoneses. Para isso, o Banco do Japão precisa estar convencido de que o crescimento dos preços está sendo impulsionado pelo aumento dos salários, pela maior demanda interna, pela alta consistente dos preços dos serviços e por expectativas inflacionárias de longo prazo bem ancoradas.

É evidente que, se os preços sobem principalmente devido ao enfraquecimento do iene, ao aumento dos preços das commodities ou a outros fatores externos, um aperto monetário dificilmente será uma resposta eficaz. Juros mais altos não reduzirão os preços do petróleo nem aliviarão as pressões de custos importadas.

Nesse contexto, a fraqueza da inflação doméstica subjacente e a desaceleração da inflação dos serviços merecem atenção especial.

Especificamente, o chamado core-core CPI (índice que exclui tanto alimentos frescos quanto energia e é considerado a melhor medida da inflação doméstica subjacente) desacelerou para 1,7% em junho na comparação anual, ante 1,8% em maio.

Essa peça do quebra-cabeça altera significativamente o panorama geral, permitindo que o Banco do Japão evite apressar um novo aperto monetário. Em conjunto, o relatório apresenta um quadro misto: apesar da aceleração da inflação cheia, a pressão inflacionária doméstica subjacente continua enfraquecendo. Em outras palavras, o processo inflacionário ainda não demonstra sinais de se tornar autossustentável.

Irina Manzenko,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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